segunda-feira, 4 de maio de 2015

Sobre quando é preciso se perder pra se encontrar



Eu nunca fui dessas pessoas que acredita em destino sabe? Que temos algum plano já traçado e tal...mas eu sempre acreditei em energia, pura e simplesmente porque eu já senti na própria pele que ela - bem ou mal direcionada - tem suas consequências.

O prósito desse blog vai ser principalmente sobre minha viagem para a Nova Zelândia que está chegando :D daqui a 3 meses. Mas também vai ser sobre mim, sobre meus anseios, sobre meus desejos, sobre o quanto eu sei que eu estou perdida e o quanto quero, acredito e espero que essa viagem me ajude a me encontrar.

Explico: A vida estava acontecendo e tal e eu tomei uma rasteira. Eu não vi de onde veio, nem pra onde foi, mas eu cai tão feio, mas tão feio, que encontrei o fundo do poço vestido de tragédia...não é um lugar bonito, não é um lugar legal e eu ainda to descobrindo como sair.

Mas a parte curiosa sobre tragédia é que ela te dá perspectiva. Ela te arrasta até o mais sinceros dos espelhos e pergunta: E ai, o que vai ser? E você olha meio perdido, com vergonha, porque mais do que as feridas da queda recente, ali estão também estampados o seu egoismo, sua desplicência, suas mentiras e seus arrependimentos.

Ela meio impaciente pergunta: E ai minha filha, vai ficar se encarando ai pra sempre ou vai olhar em volta e voltar a vida? Vamos que eu ainda tenho lições a ensinar a outras pessoas! Você ficou alí um bom tempo e nem percebeu, se concentrou tanto na sua dor que nem viu.

E pela primeira vez, você olha além do espelho e é ai que a ficha cai "Eu sempre achei que tive tempo, eu sempre achei que teria tempo de fazer, de amar, de viver". E você começa a enxergar meio borrado o plano maior, o além de você; você começa a enxergar que esses arrependimentos não vão te trazer nada além de uma personalidade amarga, que a culpa pode corroer até os mais bondosos de coração, que o egoisto só te trará solidão. Mas ao lado de todas essas coisas escuras, você também consegue ver amizade, gratidão, amor...redenção.

E é ai que eu tive que escolher o que fazer com essa tristeza sem fim que ainda vive em mim...eu poderia ficar encarando esse espelho, bolando mil e uma formas de remendar meus machucados. Ou eu poderia olhar além de mim e ver o outro. Que a dor que eu sinto é bem menor que os que outros sentem. Que a dor que eu sinto, muita gente já sentiu. E sobreviveu. E viveu. Eu escolhi viver, eu sempre escolheria viver, é de mim, é do que eu sou feita.

Mas nem por isso seria fácil. Não é na verdade. No misto da felicidade de conhecer outro país, eu lido com a tristeza do que me aconteceu. Com os planos para viver uma nova vida, vem a dor de abandonar o que me restou. Mas quando a tragédia vem e se apresenta, ela te mostra o mais desesperador dos cenários, mas também te mostra que as vezes o seu mundo precisa virar do avesso para ver exatamente do que é que você é feito, qual a sua vontade de viver.

E em uma dessas noites, entre os soluços e dores que agora são quase familiares, eu entendi...eu precisei ficar de frente pra aquele espelho e ver que o que sobrou de mim é o essencial pra me levantar, pra me encontrar. Eu precisei me perder para me encontrar.

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